Embrapa começa a planejar segunda fase do projeto de inclusão digital
A formação de um consórcio entre instituições pode ser uma das estratégias para uma segunda etapa do projeto de inclusão digital da Embrapa, com encerramento previsto para 2027. A sugestão surgiu em debate conduzido pela presidente Silvia Massruhá durante o III Workshop Científico do Semear Digital, realizado entre 20 e 22/05 na Embrapa Agricultura Digital (Campinas/SP).
“O projeto tem tudo para render mais frutos do que já está rendendo”, disse Daniel Scherer de Moura, que representou a presidência da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), financiadora do Centro de Ciência para o Desenvolvimento em Agricultura Digital – Semear Digital. A fundação cogita renovar o projeto frente à evolução crescente da experiência de volume de trabalho inédito na área no País, destacou relatório de acompanhamento do projeto.
Um exemplo é a evolução da produção científica e acadêmica,que foi de 11 artigos publicados em 2023 para os atuais 114 (veja box). Parte dos estudos foi selecionada para apresentações orais e sessão de pôsteres. Entre estes, o trabalho sobre análise geoestatística de solo realizado em fazenda de café de montanha teve como co-autores os produtores Ademar Pereira e Fabrício Fagundez, do Distrito Agrotecnológico de Caconde/SP.
“Conectividade com propósito” – Massruhá quis ouvir a avaliação dos representantes do comitê diretivo e da equipe de pesquisa sobre avanços e desafios do projeto. E planeja consultar também os representantes das comunidades rurais dos dez municípios que funcionam com Distritos Agrotecnológicos (DATs) do Semear Digital, distribuídos por diferentes regiões e biomas brasileiros.
A presidente propôs que o projeto estruturante avance para uma “conectividade com propósito”, aliando inclusão digital e socioprodutiva no preparo de uma nova força de trabalho e para atendimento aos desafios emergentes. Rumo a uma agricultura multifuncional, regenerativa e preditiva, indicou.
Consórcio – Uma plataforma de soluções, gerando serviços ambientais, promovendo a bioeconomia e sustentando o desenvolvimento social é a evolução que Massruhá visualiza para o Semear Digital. Um centro de agro inteligência, com agregação de instituições como o IBGE e ministérios num consórcio.
“Além da consolidação de tecnologias, temos de atuar na integração de dados que ajudem o País com métricas da agricultura tropical”, destacou Massruhá lembrando o acordo Mercosul-União Européia. O potencial agregador do Semear Digital tem sido demonstrado.
A metodologia de atuação do projeto da Embrapa está sendo estendida a diferentes territórios brasileiros por meio de parcerias com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e a Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater).
Países vizinhos também já adaptam a metodologia via Programa Cooperativo para o Desenvolvimento Tecnológico do Setor Agroalimentar e Agroindustrial do Cone Sul (Procisur). Além disso, países europeus como Portugal e França demonstraram interesse nos resultados do projeto.
| Semear Digital em números
Entre as 65 principais tecnologias em desenvolvimento e validação estão: cerca de 50 modelos, seis softwares, cinco aplicativos e quatro protótipos. Uma área de exposição foi montada para a apresentação das principais ações em andamento em cada um dos dez DATs. A expansão da rede de parcerias foi outro destaque do balanço do Semear Digital que avança na consolidação do ecossistema de colaboração. Às sete instituições fundadoras somaram-se: 14 associações e cooperativas; dez prefeituras; nove empresas e outras entidades e cinco instituições de ensino. No período, o número de participantes passou de 30 para 160 pessoas, das quais 85 são pesquisadores/as e 51, bolsistas. Além dos dez pontos focais dos DATs, são mais 12 profissionais de comunicação e pessoal de apoio administrativo atuando no projeto. Romani destacou o esforço em manter as equipes informadas e a atenção com a divulgação científica do projeto de pesquisa. |
A programação do III Workshop do Semear Digital contou painel sobre Robótica na Agricultura com mediação do pesquisador Luciano Gebler, da Embrapa Uva e Vinho. Teve ainda a participação remota dos membros do comitê consultivo internacional. Ermias Kebreab, da Universidade da Califórnia/EUA e Fedro Zazueta, da Universidade da Flórida/EUA, falaram sobre Agricultura regenerativa e mudanças climáticas.
Douglas Morton, da Nasa e Universidade de Maryland (EUA), e Mihai Datcu, da German Aerospace Center (Alemanha) falaram sobre Imageamento terrestre. Stanley Oliveira, chefe-geral da Embrapa Agricultura Digital fez a abertura do evento.
Texto: Valéria Cristina Costa – MTb.15533/SP
Embrapa Agricultura Digital
Durante o III Workshop, Luciana Romani, pesquisadora da Embrapa Agricultura Digital e coordenadora de comunicação e parcerias do Semear Digital fez um balanço dos resultados do projeto de 2023 até aqui. Um total de 15 centros de pesquisa da Embrapa integram o projeto.

