Livro está disponível para download gratuito no site da editora Springer Nature.
Estudo avalia potencial da integração entre blockchain, satélites e inteligência artificial para rastrear a produção agrícola
Pesquisadores também avaliam os desafios, como a falta de conectividade no campo e a regulamentação das tecnologias.
A blockchain é uma tecnologia de registro digital compartilhado e descentralizado, ou seja, sem um controle central único, em que os dados enviados não podem ser alterados. Na agricultura, a blockchain pode rastrear e compartilhar informações de forma segura e transparente ao longo de toda a cadeia produtiva, da origem dos insumos ao consumidor final, ajudando a garantir a autenticidade dos produtos e a reduzir a falta de confiança entre os elos da cadeia. Pesquisadores do Semear Digital avaliam o potencial da integração entre blockchain, satélites e inteligência artificial para rastrear a produção agrícola em capítulo do livro “Inovação na Cadeia Agroalimentar: aproveitando a tecnologia blockchain para sistemas alimentares sustentáveis”, publicado pela Springer Nature.
“O objetivo do capítulo é explorar como a blockchain pode evoluir em sinergia com o sensoriamento remoto e a inteligência artificial para apoiar metas de sustentabilidade na agricultura e analisar desafios e oportunidades dessa integração e suas implicações para governança de dados, certificação e monitoramento ambiental”, explicam os autores, Danielle Furuya e Franco da Silveira, da Embrapa Agricultura Digital.
Nessa tecnologia as transações e dados são armazenados em blocos que são ligados em sequência, formando uma cadeia (por isso o nome em inglês, blockchain). Cada bloco contém dados de transações e um código único de identificação, chamado de hash, o que torna os dados praticamente imutáveis e resistentes a fraudes. A tecnologia, mais conhecida como base para moedas digitais, tem se expandido para diversos setores, como o agrícola, no qual sua contribuição mais significativa está na capacidade de estabelecer confiança entre as partes interessadas. Para os autores, “a blockchain agrega valor em pontos-chave de decisão ao registrar quais dados foram usados, como foram processados e quais ações foram tomadas, criando uma trilha de auditoria transparente. Isso é particularmente útil em programas de agricultura sustentável que exigem certificação, conformidade regulatória ou participação em mecanismos de incentivo, como mercados de carbono ou subsídios agroambientais”.
A integração da blockchain com outras tecnologias aumenta ainda mais sua relevância. O sensoriamento remoto, que inclui imagens de satélite e observações por drones, é importante para monitorar a saúde das culturas, as condições do solo e parâmetros ambientais. Já a inteligência artificial, especialmente com modelos de aprendizado de máquina e aprendizado profundo, possibilita análises preditivas, detecção de anomalias e reconhecimento de padrões em grandes conjuntos de dados. “O resultado dessa integração é um ecossistema de dados transparente, interoperável e rastreável, características que, para o setor agrícola, criam a base para uma gestão de dados mais confiável e responsável”, reforçam os autores.
Com essa integração, produtores, processadores, cooperativas, varejistas, certificadores e consumidores finais poderiam acessar as informações de toda a cadeia de produção. Isso facilitaria o acompanhamento e o acesso a informações verificáveis e, com isso, ajudaria a reduzir fraudes, impedir a manipulação de dados e melhorar a qualidade e a rastreabilidade de produtos e processos. “Em contextos de certificação nos quais a validação externa é essencial como, por exemplo, o mercado de carbono e as compensações de biodiversidade, a integração entre essas tecnologias pode facilitar a documentação dos dados e incluir outras camadas, como classificações baseadas em IA e alertas de satélite”, exemplificam os autores.
Entre os desafios apresentados no estudo estão a necessidade de uma infraestrutura compatível e capaz de trocar dados entre si, o alto custo de implementação, em especial para pequenos e médios produtores rurais, a falta de conectividade estável e de alta qualidade em parte do País, a capacitação técnica de agricultores e gestores e a falta de padrões globais para o uso da blockchain na agricultura. “À medida que as tecnologias amadurecem e a infraestrutura digital se expande, esperamos que a aplicação combinada dessas tecnologias se torne cada vez mais confiável e acessível. Pesquisa, desenvolvimento e colaboração intersetorial contínuos serão fundamentais para escalar essa integração e garantir que seus benefícios alcancem tanto pequenos produtores quanto operações em larga escala”, concluem os autores.
Érica Speglich (MTb 0100674/SP)
Graziella Galinari (MTb 3863/PR) – Embrapa Agricultura Digital
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