Agropolis International (Montpellier, França). Foto: Édson Bolfe.
Cooperação internacional amplia intercâmbio científico e tecnológico no Semear Digital
Da implantação de novos Distritos Agrotecnológicos no Cone Sul ao intercâmbio com centros de pesquisa da Europa e dos Estados Unidos, o Semear Digital vem expandindo sua rede internacional de colaboração científica. As iniciativas envolvem o desenvolvimento conjunto de metodologias, mobilidade de pesquisadores e novos projetos de pesquisa.
Essa rede vem sendo construída em duas frentes complementares. A primeira envolve a cooperação Sul-Sul, especialmente com países da América Latina. A segunda reúne colaborações científicas Sul-Norte com universidades e centros de pesquisa da Europa e da América do Norte, voltadas ao desenvolvimento de pesquisas, inovação tecnológica e formação de pesquisadores.
Cooperação Sul-Sul adapta metodologia para diferentes realidades
Na América do Sul, uma das principais iniciativas ocorre por meio do Programa de Cooperação Internacional para a Agricultura do Cone Sul (Procisur). A parceria apoia a implantação de Distritos Agrotecnológicos (DATs) pilotos no Chile, Argentina, Uruguai e Paraguai tomando como referência a experiência desenvolvida pelo Semear Digital no Brasil.
A implantação mostrou que a metodologia precisou ser adaptada às diferentes realidades institucionais, sociais e produtivas de cada país. “Cada país tem sua característica, sua forma de organização e diferentes infraestruturas no campo. A internacionalização é interessante, mas precisamos considerar esses aspectos para que a metodologia funcione em diferentes contextos”, explica a coordenadora de Parcerias do Semear Digital, Luciana Romani.
A experiência acumulada deu origem à elaboração de um guia metodológico que vai organizar as etapas de implantação dos DATs e reúne procedimentos, critérios e listas de verificação para apoiar futuras iniciativas de cooperação internacional.
Parcerias internacionais fortalecem pesquisa e inovação em agricultura digital
A cooperação científica também inclui parcerias com instituições europeias e nos Estados Unidos em áreas como a robótica, inteligência artificial, sensoriamento remoto e rastreabilidade.

As atividades envolvem instituições da região Norte de Portugal, como o Instituto de Engenharia de Sistemas, Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC), vinculada à Universidade do Porto, e a Universidade de Coimbra e a Associação Mobilizar com Valores (McV), em Braga. Na França, a aproximação com o Agricultural Research Centre for International Development (CIRAD) e o National Research Institute for Agriculture, Food and Environment (INRAE), possibilitando que pesquisadores do Semear Digital acompanhassem projetos como o #DigitAg e o #AgroTIC, iniciativas voltadas à desenvolver bases científicas e tecnológicas para impulsionar a agricultura digital na Europa. Nesses países, o Semear Digital tem sido convidado desde 2024 a participar de seminários, atividades de campo e palestras, reuniões sobre temas como indicações geográficas, sensoriamento remoto, robótica e rastreabilidade. Em 2026, o Semear Digital também apresentou seus avanços em agricultura digital durante um evento científico realizado em abril no Agropolis International, em Montpellier, reunindo pesquisadores de cerca de vinte países. A participação ampliou a visibilidade internacional do projeto e fortaleceu novas oportunidades de cooperação científica.
A internacionalização também ocorre por meio da mobilidade acadêmica. O doutorando do INESC TEC (Miguel Marques) realiza atividades no Brasil, desenvolvendo estudos sobre o mapeamento de pastagens degradadas, a partir de dados obtidos via drone em Lagoinha (SP). Já a pesquisadora de pós-doutorado Danielle Furuya iniciará, em agosto, o estágio na Universidade Harvard (EUA) por um ano, com projeto financiado pela FAPESP, para desenvolver pesquisas sobre desenvolvimento de novos métodos de mapeamento de uso da terra baseados em dados multisensores e algoritmos de aprendizado de máquina.
Segundo Édson Bolfe, pesquisador da Embrapa Agricultura Digital e do Semear Digital, essas e outras cooperações internacionais em curso, permitem compartilhar desafios e soluções entre diferentes sistemas agrícolas, acelerando o desenvolvimento de metodologias e tecnologias aplicáveis ao contexto brasileiro. “Além das semelhanças observadas em algumas regiões agrícolas da Europa, essas parcerias ampliam a formação de pesquisadores, fortalecem redes internacionais de colaboração e criam oportunidades para novos projetos conjuntos, consolidando o Semear Digital como uma referência conectada às principais iniciativas globais em agricultura digital”, destaca Bolfe.
Além disso, diversos bolsistas e pesquisadores do Semear Digital vêm participando regularmente de congressos científicos de alto nível e missões técnicas em países como Alemanha, França, Itália, Áustria, Canadá e Portugal, ampliando oportunidades de colaboração científica.
Pesquisadores de diferentes países colaboram com o projeto
A cooperação internacional do Semear Digital também é fortalecida por um Comitê Científico Internacional, formado por pesquisadores de instituições de Estados Unidos (Universidade da Flórida, Nasa e Universidade da Califórnia) e Alemanha (Centro Aeroespacial Alemão). O comitê atua como órgão consultivo do Semear Digital. O grupo orienta pesquisas e estratégias relacionadas à conectividade rural, inteligência artificial, automação e inclusão tecnológica de pequenos e médios produtores, contribuindo para integrar competências científicas internacionais e apoiar o desenvolvimento de soluções voltadas à transformação digital da agropecuária.
A rede internacional também se fortalece com a participação de pesquisadores estrangeiros nas atividades desenvolvidas no Brasil. Atualmente, o Semear Digital reúne bolsistas e colaboradores oriundos de países como Angola, Índia, Irã, Nigéria, Peru e Equador, atuando em diferentes linhas de pesquisa.
Essas colaborações têm resultado em publicações científicas internacionais, capítulos de livros e novas propostas de pesquisa. Recentemente, equipes vinculadas ao Semear Digital submeteram projetos em chamadas internacionais envolvendo instituições da América Latina nas áreas de agricultura digital, políticas públicas e biodiversidade do solo.
Para Luciana Romani, o amadurecimento da metodologia desenvolvida pelo Semear Digital cria condições para ampliar novas parcerias no futuro. “Hoje estamos mais maduros para esse processo. Além da metodologia consolidada, será importante ampliar a disponibilidade de materiais em outros idiomas para apoiar novas cooperações internacionais”, conclui Romani.
Paula Drummond
Graziella Galinari (MTb 3863/PR)
Embrapa Agricultura Digital
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