Robótica na agricultura: autonomia pode mudar a forma de produção no campo T
A robótica para a agricultura vem ganhando diferentes contornos ao longo do tempo. Para além de equipamentos grandes e voltados para um aumento da escala de produção, os novos robôs ganham cada vez mais autonomia. Essa discussão fez parte de um painel do III Workshop do Semear Digital, realizado de 20 a 22 de maio. Participaram da mesa os pesquisadores Angel Pontin Garcia (FEAGRI/Unicamp), Jacó Dias Domingues (Embrapa Instrumentação), Luciano Gebler (Embrapa Uva e Vinho) além de Érico Borges, gestor de robótica agrícola da empresa INSTOR Projetos e Robótica.

Para Angel Garcia, o caminho trilhado no desenvolvimento da robótica para a agricultura passou pelas etapas da mecanização, da conectividade, do uso massivo de dados e informações e, agora, pelos processos de decisão e autonomia. “O nosso imaginário quando pensamos em um robô é de um ser autônomo, adaptável e capaz de aprender. Mas o quanto estamos perto disso? Em alguns aspectos temos avançado muito, as novas tecnologias permitem individuação e contém uma série de elementos que garantem que o sistema seja capaz de compreender o ambiente e a cultura e seja capaz de tomar decisões”, pontuou o pesquisador.
Já para Jacó Domingues, essa compreensão do ambiente e da cultura é um dos desafios enfrentados pela robótica autônoma. “Elementos variáveis como a topografia irregular, a arquitetura e a maturação heterogênea das plantas são alguns dos desafios para o desenvolvimento de um sistema autônomo”, explica o pesquisador, “também é um desafio criar sensores que mantenham a percepção do ambiente em condições adversas como a iluminação dinâmica causada pela presença de sombras e as intempéries, além das barreiras operacionais como a conectividade intermitente e a segurança digital”.
Outro fator citado na discussão foi a viabilidade econômica das soluções robóticas, especialmente para pequenos e médios produtores rurais. “O custo total envolve mais do que o preço da máquina, ele inclui manutenção, treinamento, suporte e o risco do uso dessas novas tecnologias pelo produtor”, reforça Érico Borges.
Soluções para pequenos e médios produtores
O Brasil conta, atualmente, com cerca de oito empresas atuando no desenvolvimento de robôs para a agricultura. “São muitos protótipos em teste como robôs para pulverização e aplicação controlada de insumos para combate a pragas; máquinas com visão computacional para irrigação que seguem um mapa de stress hídrico do local, além da criação implementos variados para otimização de veículos”, explica Angel Garcia. O pesquisador ressalta, ainda, que para pequenos e médios produtores rurais a tendência é a integração de diferentes sensores e ferramentas num mesmo equipamento, levando a um custo de operação menor visto que o mesmo equipamento pode ser operado mais vezes e ter diferentes funções.

Entre as soluções em desenvolvimento está o protótipo SEEmear, desenvolvido no Semear Digital que trabalha com imageamento georreferenciado de frutos. Por meio de um sistema de navegação acoplado a um conjunto de câmeras, o protótipo percorre o pomar fazendo a contagem automatizada de frutos e a estimativa de safra. A partir da parceria com a empresa Instor, os próximos testes envolverão o uso do trator autônomo Jasuka como base nos pomares de maçãs. “Nosso objetivo principal é a automação de tarefas e operações repetitivas e de precisão em culturas de alta complexidade, como é o caso da viticultura (uvas) e da pomicultura (maçãs), além da busca por um aumento significativo da produtividade”, explica Érico Borges.
Érica Speglich
Graziella Galinari (MTb 3863/PR)
Embrapa Agricultura Digital
Contatos para a imprensa: agricultura-digital.imprensa@embrapa.br


