Caroline Bolson
Produtores de maçã, amora e framboesa participam de oficina sobre estações meteorológicas em Vacaria
Produtores de frutas de Vacaria (RS) participaram, nesta quinta-feira (27), de uma oficina sobre montagem e operação de miniestações meteorológicas. Realizada na comunidade de Capela Santa Luzia, a atividade reuniu cerca de 15 produtores de maçã, amora e framboesa, metade deles mulheres, e combinou orientações sobre instrumentação agrícola com a montagem prática dos equipamentos.
A escolha do tema partiu de conversas com produtores do Distrito Agrotecnológico (DAT) do projeto Semear Digital sobre o uso de tecnologias digitais no campo. Segundo Luciano Gebler, pesquisador da Embrapa Uva e Vinho e do projeto Semear Digital, o celular já é utilizado com frequência pelos agricultores, mas outros equipamentos digitais ainda podem gerar dúvidas, especialmente relacionadas à operação e à manutenção.
“Os produtores têm uma boa compreensão sobre a digitalização do campo e praticamente todos utilizam celulares em seus negócios. Mas, quando discutimos o uso de outros equipamentos, percebemos uma resistência maior, principalmente pelas preocupações relacionadas à manutenção”, explica Gebler.
A proposta da oficina foi, portanto, possibilitar que os participantes conhecessem os componentes das estações e realizassem sua montagem. Os equipamentos medem precipitação, temperatura e umidade do ar. Os dados podem ser consultados pelo celular, incluindo valores registrados no momento, máximos, mínimos e médias.
“A montagem é uma forma de trabalhar o letramento digital na prática. Ao conhecer o equipamento, o produtor também consegue entender melhor seu funcionamento e realizar procedimentos básicos de manutenção”, afirma o pesquisador.

Informações meteorológicas na propriedade
Durante a etapa prática, cada participante realizou a montagem de uma miniestação a partir de módulos previamente preparados, com acompanhamento técnico. Posteriormente, os equipamentos poderão ser instalados nas propriedades.
Os produtores Volcir Longhi Zorraski, que cultiva amora, e Joseel Soares de Souza, produtor de amora e framboesa, destacaram que a maior frequência de eventos climáticos extremos reforça a necessidade de acompanhar dados locais de chuva, temperatura e umidade. Essas informações podem apoiar o planejamento de atividades como colheita, aplicação de defensivos agrícolas e organização das operações no campo.
Thalia Hoffman Azevedo, produtora de uva, amora e framboesa, contou que inicialmente teve dificuldade com a montagem da estação, mas que a atividade prática ajudou a compreender o funcionamento do equipamento e mostrou que os próprios produtores podem lidar com eventuais problemas. “No começo achei um pouco difícil, mas depois fomos aprendendo a montar. É importante a gente mesmo saber fazer, porque, se der algum problema, conseguimos consertar e não precisamos pedir ajuda de terceiros”, afirmou a produtora.
As informações obtidas pelas estações permitem acompanhar as condições meteorológicas de cada área, complementando dados provenientes de estações localizadas em outros pontos da região.


