Sensoriamento remoto apoia a gestão da qualidade da água em reservatório paulista
Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Embrapa Agricultura Digital, integrantes do Semear Digital, demonstraram como o uso de sensoriamento remoto pode apoiar o monitoramento da qualidade da água e o planejamento do uso do solo em bacias hidrográficas. O estudo analisou o Reservatório da Graminha, na região de Caconde (SP), com foco na concentração de fósforo, um dos principais fatores associados à degradação de ambientes aquáticos. A pesquisa foi apresentada na Conferência Internacional sobre Inteligência de Máquinas para Geoanálise (MIGARS 2025), realizada na Universidade Politécnica de Bucareste, na Romênia.
Mudanças no uso do solo no entorno do reservatório, assim como no próprio reservatório, em conjunto com as mudanças climáticas, resultam em alterações na dinâmica dos nutrientes. O excesso de nutrientes no ambiente aquático, especialmente o fósforo, compromete a qualidade da água ao favorecer a proliferação de algas, reduzir os níveis de oxigênio dissolvido e prejudicar usos essenciais, como o abastecimento humano, a piscicultura, as atividades de lazer e a geração de energia.
Por isso, entender de onde vem o fósforo e quanto o reservatório consegue “suportar” é fundamental para orientar políticas públicas e o planejamento do uso do solo.
Abordagem de baixo custo, escalável e replicável
Os pesquisadores utilizaram imagens de satélite Sentinel-2 e mapas de uso e cobertura da terra do MapBiomas para identificar como diferentes atividades, tais como agricultura, áreas urbanas e remanescentes florestais, contribuem para a entrada de fósforo no reservatório. Essas informações foram combinadas com valores de referência amplamente utilizados na literatura científica para estimar a carga total do nutriente na bacia.
Os resultados indicam que as áreas agrícolas e o esgoto doméstico são as principais fontes de fósforo no Reservatório da Graminha, respondendo juntas por quase 95% da carga estimada. O volume anual calculado — cerca de 173 toneladas — está próximo, ou pode até ultrapassar, o limite considerado seguro para manter o reservatório em condição limítrofe.
A estimativa teórica foi comparada com dados de monitoramento da CETESB, que acompanha o reservatório desde 2020, reforçando a consistência do método. Apesar de simplificado, o modelo apresentou resultados próximos aos valores observados, demonstrando o potencial do sensoriamento remoto como ferramenta de baixo custo, escalável e replicável para apoiar a gestão de recursos hídricos.
“Embora o modelo seja simples, o uso do sensoriamento remoto combinado com cálculos permite estimar os níveis de fósforo provenientes da bacia hidrográfica”, explicam os autores.
Os pesquisadores também alertam para o risco de interpretações excessivamente simplificadas. Segundo eles, o resultado observado, por si só, não explica plenamente o comportamento do reservatório, uma vez que variações espaciais e temporais podem não ser captadas, gerando diferenças entre valores estimados e observados.
Ainda assim, apesar das limitações mencionadas, os autores consideram que essa abordagem oferece uma alternativa prática e de baixo custo para regiões com recursos limitados para avaliações mais complexas. “Trata-se de uma ferramenta valiosa para a gestão de bacias hidrográficas e para o desenvolvimento de políticas públicas voltadas à mitigação da eutrofização, uma das formas mais comuns de degradação dos corpos d’água”, finalizam os autores.
Saiba mais em:
F. C. da Silva, J. M. Kimpara, C. M. R. Coneglian and L. A. S. Romani, “Remote Sensing for Eutrophication Assessment and Land Use Planning: A Case Study in Tropical Reservoir,” 2025 International Conference on Machine Intelligence for GeoAnalytics and Remote Sensing (MIGARS), Bucharest, Romania, 2025, pp. 1-4, doi: 10.1109/MIGARS67156.2025.11232306.
Paula Drummond
Graziella Galinari (MTb 3863/PR)
Embrapa Agricultura Digital
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