Drones tornam mais rápida e eficiente a adubação em cafezais no DAT de Caconde
Tecnologia testada pelo Semear Digital reduz esforço físico, otimiza o momento de aplicação e amplia acesso à inovação entre pequenos produtores
O uso de drones para dispersão de insumos agrícolas está ganhando espaço nos cafezais de Caconde, no interior de São Paulo, onde funciona um dos Distritos Agrotecnológicos (DATs) do projeto Semear Digital. Testes recentes avaliaram a aplicação aérea de micronutrientes (boro) em lavouras de café, com resultados promissores tanto em eficiência operacional quanto em manejo agronômico.
O boro é um micronutriente essencial para o desenvolvimento do cafeeiro. Sua deficiência pode afetar a floração e a frutificação das plantas, reduzindo a produtividade. Nos experimentos conduzidos no DAT, drones foram utilizados para dispersar o insumo de forma rápida e precisa nas áreas de cultivo.
A diferença em relação ao método tradicional é significativa. Um drone consegue distribuir cerca de 50 quilos de adubo em aproximadamente 20 minutos por hectare. Na aplicação manual, o mesmo trabalho poderia levar praticamente um dia inteiro. Além de aumentar os custos, o método convencional exige grande esforço físico, especialmente nas lavouras de montanha características da região, e expõe o trabalhador diretamente aos insumos.
Segundo Fabrício Fagundes, agrônomo do Sindicato Rural de Caconde, os testes ainda estão em fase de validação, mas os primeiros sinais são positivos. “No momento estamos validando os resultados, mas já estamos observando plantas crescendo mais robustas, respondendo à aplicação do boro”, afirma.
Outro ganho importante é a possibilidade de aplicar o adubo no momento mais adequado para a cultura. “Com as estações meteorológicas instaladas pelo Semear Digital junto com conectividade no campo, conseguimos identificar o melhor momento para aplicar, considerando fatores como chuva e vento naquele dia, o que evita perda ou evaporação do adubo”, explica o agrônomo.
A próxima etapa da pesquisa prevê ampliar os testes para macronutrientes essenciais, como potássio, nitrogênio e fósforo. A equipe também pretende avaliar drones com maior capacidade de carga, chegando a modelos que transportam até 100 quilos de insumos.
Embora a aquisição do equipamento ainda represente um investimento significativo — entre R$ 80 mil e R$ 150 mil, dependendo do modelo e da capacidade — o uso da tecnologia pode ser viabilizado por meio da contratação de serviços especializados. Na região de Caconde, o custo da aplicação por drone varia entre R$ 120 e R$ 150 por hectare, valor que pode compensar para pequenos produtores, especialmente em áreas de difícil acesso.
Resultado no Campo
Para Ademar Pereira, ponto focal do Semear Digital no município, presidente do Sindicato Rural de Caconde, a tecnologia chegou em um momento decisivo para os produtores locais. “A gente já não tinha mão de obra para carregar todo aquele peso e fazer a pulverização na montanha. O produtor foi muito receptivo porque viu que a tecnologia realmente traz solução”, relata.
Ele destaca que o avanço tecnológico veio acompanhado de um processo de mobilização e capacitação promovido pelo projeto Semear Digital. “Antes da tecnologia, houve um trabalho de sensibilização e de reunir os atores locais. Com a conectividade chegando às propriedades, ficou mais fácil integrar os produtores e realizar atividades todos os meses, como dias de campo, workshops e seminários”, explica.
Hoje, a tecnologia já começa a se consolidar na região. Segundo Pereira, mais de 20 drones prestam serviços nas propriedades e dois equipamentos operam diretamente por meio do sindicato rural. As unidades demonstrativas instaladas no DAT têm ajudado a mostrar na prática os benefícios das novas ferramentas.
“Quando o produtor vê o resultado no campo, acredita muito mais. O drone trouxe agilidade, reduziu o custo operacional e permitiu aplicar os insumos no momento ideal da cultura”, afirma.
Além da eficiência, a tecnologia também contribui para reduzir a exposição de trabalhadores a produtos químicos e minimizar impactos ambientais, como contaminação do solo e de cursos d’água. Os drones também começam a ser utilizados na aplicação de insumos biológicos e na distribuição de insumos sólidos, ampliando as possibilidades de manejo nas lavouras.
Com mais de duas mil pequenas propriedades agrícolas na região, a expectativa é que o uso compartilhado da tecnologia continue crescendo. “Essas vitrines tecnológicas ajudam a desmistificar a inovação e mostram que ela também pode chegar à pequena propriedade”, conclui Pereira.
Paula Drummond
Graziella Galinari (MTb 3863/PR)
Embrapa Agricultura Digital
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