O objetivo do projeto é superar as desigualdades no campo a partir de pesquisa, desenvolvimento, inovação (PD&I) em Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) visando ampliar a produção e produtividade dos pequenos e médios produtores.

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25 de agosto de 2025

Tecnologias digitais avançam na cafeicultura, mas desafios persistem para pequenos produtores

O uso de tecnologias digitais na produção de café tem avançado e traz ganhos em rastreabilidade, eficiência e sustentabilidade. Apesar dos benefícios, a digitalização do campo ainda esbarra em obstáculos como falta de infraestrutura, baixa qualificação técnica e resistência cultural, especialmente entre pequenos produtores. É o que revela uma revisão bibliográfica conduzida por pesquisadores da Universidade Federal de Lavras, pontos focais do DAT Ingaí, que investigam a transformação digital na cafeicultura. O estudo aponta caminhos essenciais para a implementação das propostas do Semear Digital para a cadeia produtiva do café.

A pesquisa, apresentada durante o II Workshop do Semear Digital, analisou 27 artigos científicos publicados entre 2020 e 2024. O objetivo foi mapear as principais estratégias de adoção tecnológica no setor cafeeiro, bem como identificar barreiras e inovações emergentes. Entre as tecnologias mais citadas estão a Internet das Coisas (IoT), inteligência artificial (IA), blockchain, sensores e drones, ferramentas que permitem desde o monitoramento das lavouras em tempo real até a certificação de práticas sustentáveis.

“No Brasil, identificamos estudos mostrando como sensores e conectividade em tempo real podem auxiliar pequenos produtores no controle de variáveis ambientais. No Vietnã, a integração de inteligência artificial e agricultura de precisão tem aumentado a produtividade e a sustentabilidade. Na Colômbia, cooperativas implementaram blockchain para garantir rastreabilidade e valorizar cafés de origem”, cita Caroline Paiva pós-doutoranda do projeto Semear Digital,e autora do estudo.

Desigualdades no campo

“Embora tecnologias como IoT, inteligência artificial e blockchain recebam grande destaque nos estudos acadêmicos, não são essas as ferramentas mais presentes no dia a dia de pequenos e médios produtores. Na prática, soluções de baixa e média complexidade, como aplicativos móveis e planilhas eletrônicas, têm sido as grandes aliadas”, alerta Lady Rodriguez, mestranda do programa de pós-graduação em Administração na UFLA, membro do grupo de estudos Agritech e autora do estudo.

“Apesar dos avanços tecnológicos visíveis no setor agrícola, observamos que sua adoção ainda ocorre de forma desigual, especialmente entre produtores com menor acesso a recursos financeiros, técnicos ou de formação” relata Jéssica Helvécio, mestranda do programa de pós-graduação em Administração na Universidade Federal de Lavras (UFLA), membro do grupo de estudos Agritech e autora do estudo.

Segundo os autores, a adoção dessas ferramentas depende de fatores como porte da propriedade, organização dos produtores, disponibilidade de recursos e apoio institucional. Modelos baseados na cooperação entre os atores da cadeia produtiva e na adaptação às realidades locais são apontados como mais eficazes. Segundo Paiva, esses casos reforçam que “modelos colaborativos, como cooperativas e associações, viabilizam o acesso a tecnologias digitais e oferecem suporte técnico e financeiro, facilitando a adoção por pequenos e médios produtores”.

Esse cenário, segundo Rodriguez, revela uma “dissonância entre o que é produzido na academia e o que, de fato, é adotado no campo” e reforça a importância de pensar a inovação de forma contextualizada, levando em conta a realidade socioeconômica e o preparo técnico dos produtores. Rodriguez faz uma estudo similar na Colômbia, país cuja cafeicultura também tem protagonismo no cenário agrícola nacional.

Por fim, as pesquisadoras defendem programas públicos que combinem investimento em infraestrutura digital no meio rural com capacitação técnica contínua. “Isso pode incluir instalação de redes de conectividade, fornecimento de equipamentos e softwares a custo subsidiado e cursos práticos para uso das ferramentas. Também é possível incentivar que produtores se organizem em cooperativas para comprar e usar em conjunto tecnologias como drones ou sensores”, finaliza Helvécio.

 

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