Sisteminha Embrapa leva alternativa de produção e segurança alimentar a agricultores do DAT de Breves (PA)
Entre 25 de janeiro e 5 de fevereiro, agricultores familiares de Breves, no arquipélago do Marajó (PA), participaram de um treinamento prático sobre o Sisteminha Embrapa, tecnologia social desenvolvida para fortalecer a segurança alimentar em pequenas propriedades. A atividade, liderada pelo Instituto Mondó, teve apoio do projeto Semear Digital e resultou na implantação de uma unidade demonstrativa na Cooperativa da Agricultura Familiar, Agroextrativista Regional (CAFAR), reunindo cerca de 25 participantes de diferentes comunidades do município.
O Sisteminha é um modelo de produção integrado pensado para áreas pequenas. Ele combina até 16 diferentes módulos produtivos, como criação de peixes e aves, horta e produção de adubo orgânico, permitindo que as famílias produzam parte importante dos alimentos que consomem ao longo do ano.
“A palavra-chave é segurança alimentar. A ideia é que, em um pequeno espaço da propriedade, o produtor consiga garantir o sustento da família”, explica Afonso Queiroz, bolsista do Semear Digital. Segundo ele, além de ser relativamente simples de instalar, o sistema foi pensado para funcionar de forma integrada e sustentável dentro da realidade da agricultura familiar.
A iniciativa também busca ampliar as opções produtivas das famílias da região. De acordo com Michell Costa, da Embrapa Amazônia Oriental, a diversificação é um ponto central para reduzir as vulnerabilidades econômicas. “A Embrapa, por intermédio do Semear Digital, busca apresentar e disseminar tecnologias que ajudem a diversificar a produção. Hoje o açaí é a principal atividade econômica de muitas famílias, o que gera dependência de uma única cultura e as expõe à sazonalidade do fruto e às oscilações do mercado. Tecnologias como o Sisteminha oferecem uma alternativa que garante segurança alimentar durante todo o ano”, afirma.

Mão na massa
O treinamento teve caráter essencialmente prático. Durante dez dias, os participantes acompanharam e ajudaram na construção e na instalação dos módulos do sistema na área da cooperativa. Entre as estruturas implantadas estão um viveiro para criação de peixes, aviário com área de pasto, minhocário e uma horta suspensa.
Segundo Queiroz, cada componente do sistema tem um manejo próprio e segue orientações técnicas específicas. “Cada módulo tem sua metodologia. No caso dos peixes, por exemplo, há biometria e manejo da alimentação. No aviário há etapas de adaptação das aves e controle da ração. Tudo isso faz parte do aprendizado durante a implantação”, explica.
O sistema de piscicultura já está em funcionamento e utiliza tilápia, espécie para a qual o modelo foi originalmente desenvolvido. A proposta é que a produção seja voltada principalmente para o consumo das famílias.
“A lógica do sisteminha não é produzir para grandes vendas, mas garantir alimento. O produtor pode retirar cerca de 30 quilos de peixe a cada três meses. Isso já ajuda muito na alimentação da família e, se houver excedente, pode até ser trocado ou vendido dentro da própria comunidade”, diz.
Adaptação à realidade amazônica
Um dos aspectos discutidos durante a capacitação foi a adaptação do sistema às condições ambientais da região. Em partes do Marajó, por exemplo, o regime de marés dificulta o cultivo direto no solo.
Por isso, a unidade instalada incluiu uma horta suspensa. A estrutura funciona como alternativa para produção de hortaliças em áreas onde a água ou o tipo de solo limitam o plantio tradicional.
“Mesmo onde é possível plantar no chão, a horta suspensa serve como demonstração. Assim os produtores podem avaliar diferentes formas de adaptação do sistema à realidade de cada propriedade”, afirma Queiroz.
Envolvimento da comunidade
Os participantes do treinamento eram, em sua maioria, agricultores familiares ligados à cooperativa e a comunidades próximas. Muitos trabalham com produção de farinha de mandioca, açaí, hortaliças, criação de aves e outras atividades típicas da região.
A turma reuniu pessoas de diferentes idades e contou com participação equilibrada entre homens e mulheres. Segundo Queiroz, boa parte dos participantes atuou diretamente na construção das estruturas.
“Pelo menos metade da turma colocou a mão na massa na implantação. E as mulheres se destacaram bastante nesse processo. Elas participaram ativamente e trabalharam muito durante toda a instalação”, relata.
Além da cooperativa, parte dos participantes veio de comunidades atendidas pelo Instituto Mondó, organização que atua com iniciativas sociais e produtivas no município.
Paula Drummond
Graziella Galinari (MTb 3863/PR)
Embrapa Agricultura Digital
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