Digitalização como ferramenta de desenvolvimento sustentável do campo tem destaque na AgriZone
Soluções digitais para o desenvolvimento agro ambiental sustentável foi tema de debate, hoje, 19 de novembro, na AgriZone, a Casa de Agricultura Sustentável da Embrapa, na COP 30, em Belém (PA). O chefe-geral da Embrapa Amazônia Oriental, Walkymário Lemos, ressaltou as ações de inclusão digital conduzidas no arquipélago do Marajó, região de elevada vulnerabilidade social, econômica e tecnológica. Na mesma abordagem, o pesquisador da Embrapa Agricultura Digital, Edson L. Bolfe, detalhou os avanços do projeto Semear Digital, iniciativa que busca soluções tecnológicas a pequenos e médios produtores de quatro biomas. Bolfe citou a região do Marajó, onde o projeto atua principalmente com a cadeia do açaí.
Os principais eixos da iniciativa envolvem: diagnóstico socioeconômico, conectividade rural, Inteligência artificial e sensoriamento remoto, agricultura de precisão e automação, rastreabilidade e certificação e Parcerias estratégicas. “É um projeto amplo com resultados concretos em diversas cadeias produtivas. Nosso objetivo é fortalecer a produção em pequena escala e melhorar a renda de quem mais precisa de tecnologia”, afirma.
Representando a Embrapa Acre, o pesquisador Mauro Karasinski apresentou os avanços do projeto que utiliza drones e inteligência artificial para automatizar o inventário florestal na Amazônia, tornando-se uma ferramenta estratégica para o manejo sustentável de cadeias como a do açaí e da castanha. “A tecnologia evoluiu em quatro fases: digitalização do campo com GPS de alta precisão, escaneamento a laser, mapeamento aéreo com drones e, atualmente, o desenvolvimento de um software que integra essas informações para reconhecer automaticamente espécies e indivíduos florestais”, explica.
Karasinski destaca como desafio o mapeamento da diversidade da Amazônia, mas celebrou os resultados de catalogação de mais de 100 espécies. Segundo ele, os drones ampliam a área monitorada em até 25 vezes e reduzem os custos, além de oferecerem inventários mais completos que o método tradicional. “Os resultados são fruto do trabalho coletivo da equipe dedicada ao desenvolvimento da solução”, diz
Soluções digitais para açaí e mel
O analista Michell Costa, da Embrapa Amazônia Oriental, também apresenta os avanços das soluções digitais criadas para fortalecer as cadeias produtivas do açaí e do mel na Amazônia. Costa menciona a plataforma tecnológica que integra informações sobre a relação ecológica entre abelhas e a produção de açaí, mostrando que o aumento da presença de abelhas pode elevar a produtividade. “É uma informação essencial não só para o apicultor, mas também para o produtor de açaí, que precisa compreender essa interação para melhorar sua produção”, explica Costa.
Para ampliar o acesso às informações, a Embrapa também oferece uma ferramenta de inteligência artificial (IA) via WhatsApp, que responde dúvidas dos produtores de forma simples e rápida, além de materiais educativos como uma maquete virtual sobre abelhas. O serviço pode ser encontrado na Plataforma Infobee.
ManejaTech-açaí – Outra inovação da Embrapa é o aplicativo ManejaTech-açaí que permite ao produtor realizar o inventário florestal da área, receber recomendações automáticas de manejo e fazer a gestão da produção.
Representando os produtores rurais do Marajó, Afonso Queiroz diz que o aplicativo Manejatech-açaí é um marco para a cadeia produtiva do fruto, a mais importante do Marajó. A ferramenta permite ao agricultor registrar sua produção e comercialização. “Com o histórico registrado no aplicativo, o produtor consegue mostrar ao banco, por exemplo, quanto produziu e como evoluiu. Isso dá segurança para acessar crédito”, explica.
Para o produtor, a chegada de soluções digitais, como aplicativos de manejo e plataformas de orientação técnica está transformando a gestão das propriedades. “Hoje conseguimos identificar, dentro da propriedade, qual parcela é mais produtiva e onde precisamos intensificar o trabalho. Antes tudo era feito no papel, agora temos ferramentas que mostram isso com clareza”, afirma.
Adaptar as soluções para a realidade local
O professor Roberto C. Limão, da Universidade Federal do Pará (UFPA), ressalta o potencial da inteligência artificial (IA) para reduzir desigualdades históricas na Amazônia e apoiar o desenvolvimento sustentável da região. “O desafio amazônico é encontrar soluções de baixo custo, adequadas às condições locais e capazes de operar mesmo com limitações de conectividade, energia e acesso tecnológico”, diz.
Para Limão, as ferramentas como os algoritmos de reconhecimento aplicados ao monitoramento florestal — apresentados durante o evento — representam avanços importantes, mas precisam considerar a diversidade ambiental e as variações constantes da vegetação amazônica. Limão também destaca que a rastreabilidade e os sistemas de monitoramento digital são essenciais para manter o acesso dos produtos amazônicos a mercados internacionais cada vez mais exigentes.
Porém, Limão reforça que a IA pode ser uma poderosa ferramenta para democratizar o acesso à informação, apoiar políticas públicas e promover desenvolvimento sustentável, desde que acompanhada de estratégias para superar barreiras locais de infraestrutura e inclusão digital. “Se queremos diminuir desigualdades, precisamos entregar tecnologia no formato que as pessoas conseguem usar”, alerta.
Lebna Landgraf (MTB – 2903/PR)
Embrapa
Contatos para a imprensa
imprensa@embrapa.br


