{"id":6081,"date":"2026-03-27T15:13:05","date_gmt":"2026-03-27T18:13:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.semear-digital.cnptia.embrapa.br\/?p=6081"},"modified":"2026-03-31T15:14:22","modified_gmt":"2026-03-31T18:14:22","slug":"pesquisa-aponta-fatores-chave-para-ampliar-a-agricultura-4-0-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.semear-digital.cnptia.embrapa.br\/en\/noticia\/03\/2026\/pesquisa-aponta-fatores-chave-para-ampliar-a-agricultura-4-0-no-brasil\/","title":{"rendered":"Pesquisa aponta fatores-chave para ampliar a agricultura 4.0 no Brasil"},"content":{"rendered":"<div class=\"card-text\">\n<div class=\"LabelMobil\">\n<p class=\"summary\"><em>Conectividade digital no meio rural, juventude no campo e mecanismos de divulga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o alguns dos fatores que mais impulsionam a ado\u00e7\u00e3o de tecnologias no complexo agroalimentar<\/em><\/p>\n<p class=\"summary\"><strong>Ag\u00eancia FAPESP<\/strong> * \u2013 Um estudo <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1016\/j.agsy.2025.104508\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>publicado<\/strong><\/a> na revista <em>Agricultural Systems<\/em> identificou os principais fatores que impulsionam a ado\u00e7\u00e3o de tecnologias da chamada agricultura 4.0 no Brasil e prop\u00f5e estrat\u00e9gias para ampliar seu uso de forma respons\u00e1vel no sistema agroalimentar. A pesquisa integra as a\u00e7\u00f5es do <strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/111242\/centro-de-ciencia-para-o-desenvolvimento-em-agricultura-digital-ccd-adsemear\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Science Center for Development in Digital Agriculture<\/a>\u00a0<\/strong>(<a href=\"https:\/\/www.semear-digital.cnptia.embrapa.br\/en\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Semear Digital<\/strong><\/a>). Sediado na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa) <a href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/en\/agricultura-digital\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Agriculture Development<\/strong><\/a>, em Campinas (SP), o Semear Digital \u00e9 um dos <a href=\"https:\/\/ccd.fapesp.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>CCDs<\/strong><\/a> da FAPESP.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"linhas\">\n<p>O trabalho parte de uma constata\u00e7\u00e3o recorrente no setor: nem sempre tecnologias promissoras chegam de fato ao produtor ou geram o impacto esperado no campo. \u201cA gente ainda v\u00ea uma lacuna grande entre o que \u00e9 desenvolvido na academia e o que de fato chega na ponta e traz resultados para o produtor\u201d, afirma <a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/13186\/jayme-garcia-arnal-barbedo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Jayme Barbedo<\/strong><\/a>, coautor do estudo.<\/p>\n<p>Para entender esse descompasso, os pesquisadores analisaram 18 fatores determinantes da ado\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, chamados no estudo de <em>drivers<\/em>, organizados em dimens\u00f5es sociais, pol\u00edticas e tecnol\u00f3gicas. A partir de revis\u00e3o da literatura e da consulta a especialistas, os autores mapearam como esses fatores se influenciam mutuamente e quais exercem maior efeito sobre o conjunto do sistema por meio de modelagem das rela\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Segundo <a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/730417\/franco-da-silveira\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Franco da Silveira<\/strong><\/a>, pesquisador de p\u00f3s-doutorado <a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/215546\/proposicao-de-estrategias-para-superar-as-barreiras-que-dificultam-a-implementacao-das-tecnologias-d\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>apoiado<\/strong><\/a> pela FAPESP e tamb\u00e9m autor do estudo, o trabalho buscou avan\u00e7ar al\u00e9m do <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.3389\/fsufs.2025.1624753\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>mapeamento de barreiras<\/strong><\/a>, tema j\u00e1 explorado pelo grupo do Semear Digital, para identificar os fatores que impulsionam a ado\u00e7\u00e3o das tecnologias da agricultura 4.0 e compreender como eles se articulam no sistema. \u201cNem todos t\u00eam o mesmo peso. Alguns provocam uma rea\u00e7\u00e3o em cadeia dentro do ecossistema. S\u00e3o esses que mais nos interessam\u201d, afirma o autor.<\/p>\n<p>Entre os <em>drivers<\/em> com maior capacidade de influ\u00eancia identificados pelos pesquisadores est\u00e3o a conectividade rural, a juventude no campo, a a\u00e7\u00e3o governamental, os mecanismos de divulga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o e a representatividade do ecossistema agroalimentar.<\/p>\n<p>A conectividade aparece como condi\u00e7\u00e3o estruturante. Embora o acesso \u00e0 internet tenha avan\u00e7ado nos \u00faltimos anos, ainda h\u00e1 vazios importantes nas \u00e1reas produtivas. \u201cBoa parte dos produtores j\u00e1 tem internet em casa. Mas na \u00e1rea de produ\u00e7\u00e3o, onde tecnologias do tipo internet das coisas [IoT, na sigla em ingl\u00eas] precisam operar, a cobertura ainda \u00e9 muito limitada\u201d, diz Barbedo. Sem infraestrutura adequada, solu\u00e7\u00f5es digitais deixam de funcionar como previsto.<\/p>\n<p>O estudo tamb\u00e9m destaca o papel dos jovens como agentes de mudan\u00e7a na \u00e1rea rural. Para Silveira, eles funcionam como ponte entre o mundo digital e a realidade das propriedades. \u201cO jovem sente as dores do pai no dia a dia e ao mesmo tempo acompanha o que est\u00e1 acontecendo no mundo digital. Ele pode levar essa percep\u00e7\u00e3o para a esfera pol\u00edtica e para dentro da propriedade\u201d, afirma.<\/p>\n<p>A perman\u00eancia dessa gera\u00e7\u00e3o no campo, contudo, depende de condi\u00e7\u00f5es concretas. \u201cN\u00e3o \u00e9 que o jovem n\u00e3o goste do campo. Ele quer se sentir parte do mundo. Se n\u00e3o tem acesso \u00e0 infraestrutura e \u00e0s oportunidades, ele vai embora para a cidade\u201d, observa Barbedo. O uso de tecnologias pode contribuir para reduzir a carga de trabalho e tornar a atividade mais atraente.<\/p>\n<p>Outro ponto central \u00e9 a circula\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o. Silveira chama aten\u00e7\u00e3o para a assimetria existente no pa\u00eds. \u201cH\u00e1 regi\u00f5es onde o agricultor ainda n\u00e3o teve contato com determinadas tecnologias. Se a informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o chega de forma adequada, a resist\u00eancia aumenta\u201d, afirma. Segundo ele, estrat\u00e9gias de demonstra\u00e7\u00e3o em fazendas-modelo e laborat\u00f3rios vivos ajudam a reduzir incertezas ao permitir que produtores vejam resultados concretos antes de decidir investir.<\/p>\n<p>Na dimens\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas, o artigo aponta a necessidade de a\u00e7\u00f5es diferenciadas para perfis distintos de produtores. \u201cA pol\u00edtica n\u00e3o pode ser a mesma para todo mundo\u201d, diz Silveira. Enquanto grandes produtores costumam ampliar a fronteira tecnol\u00f3gica, pequenos e m\u00e9dios enfrentam restri\u00e7\u00f5es financeiras e de capacita\u00e7\u00e3o. O estudo sugere incentivos regionais, cria\u00e7\u00e3o de \u00e1reas experimentais, fortalecimento de parcerias entre governo, universidades e startups e integra\u00e7\u00e3o de dados agr\u00edcolas a plataformas p\u00fablicas.<\/p>\n<p><strong>Escala respons\u00e1vel<\/strong><\/p>\n<p>Um conceito central do estudo \u00e9 o de escala respons\u00e1vel. A proposta \u00e9 que a dissemina\u00e7\u00e3o das tecnologias da agricultura 4.0 no campo leve em conta seus efeitos sociais, ambientais e econ\u00f4micos, evitando ampliar desigualdades ou comprometer metas de desenvolvimento sustent\u00e1vel. Em outras palavras, n\u00e3o basta discutir quais tecnologias adotar, mas como elas ser\u00e3o difundidas. \u201cPrecisamos falar em ado\u00e7\u00e3o de tecnologia, mas tamb\u00e9m preparar o caminho para ter essa expans\u00e3o respons\u00e1vel, essa escala respons\u00e1vel na ado\u00e7\u00e3o de tecnologia\u201d, afirma Silveira.<\/p>\n<p>Um exemplo seria a amplia\u00e7\u00e3o de plataformas digitais voltadas a pequenos produtores, acompanhada de pol\u00edticas de inclus\u00e3o. Al\u00e9m de ofertar sensores e ferramentas baseadas em intelig\u00eancia artificial, a iniciativa deveria prever conectividade rural, capacita\u00e7\u00e3o cont\u00ednua, acesso a cr\u00e9dito, regras claras sobre uso e propriedade dos dados e monitoramento de impactos ambientais. Dessa forma, a tecnologia se espalha com ganhos de efici\u00eancia, mas tamb\u00e9m com redu\u00e7\u00e3o mensur\u00e1vel de desigualdades e efeitos ambientais indesejados.<\/p>\n<p><strong>Tecnologias com impactos<\/strong><\/p>\n<p>Para Barbedo, pesquisas desse tipo ajudam a orientar decis\u00f5es estrat\u00e9gicas, tanto na formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas de desenvolvimento rural quanto em projetos como o Semear Digital, que desenvolve solu\u00e7\u00f5es para pequenas e m\u00e9dias propriedades. \u201cEsses estudos fornecem subs\u00eddios para direcionar melhor os esfor\u00e7os e focar em tecnologias que realmente tragam impacto\u201d, diz. O CCD conta com dez distritos agrotecnol\u00f3gicos no pa\u00eds, que geram dados e experi\u00eancias capazes de alimentar novas an\u00e1lises, criando um ciclo entre pesquisa e aplica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os pesquisadores observam que o cen\u00e1rio tecnol\u00f3gico \u00e9 din\u00e2mico, especialmente com os avan\u00e7os recentes em intelig\u00eancia artificial. \u201cAs coisas est\u00e3o evoluindo muito r\u00e1pido. Mesmo quem trabalha diretamente com intelig\u00eancia artificial tem dificuldade de prever os pr\u00f3ximos passos\u201d, pondera Barbedo. Nesse contexto, an\u00e1lises peri\u00f3dicas s\u00e3o fundamentais para atualizar diagn\u00f3sticos e estrat\u00e9gias.<\/p>\n<p>Como pr\u00f3ximo passo, Silveira prepara um estudo que deve incorporar com mais profundidade fatores econ\u00f4micos e ambientais e examinar como a ado\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica pode dialogar com os Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS) da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU). \u201cSe n\u00e3o pensarmos estrat\u00e9gias para esses fatores, podemos tensionar metas que a pr\u00f3pria tecnologia se prop\u00f5e a apoiar\u201d, afirma.<\/p>\n<p>O artigo <em>Exploring the drivers of responsible scaling of Agriculture 4.0 technologies for transformative impact in the modern agri-food ecosystem: An ISM-based analysis<\/em> pode ser lido em: <a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S0308521X25002483\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S0308521X25002483<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p>* <em>Com informa\u00e7\u00f5es de Paula Drummond, do Semear Digital<\/em>.<br \/>\nTexto originalmente publicado na Ag\u00eancia Fapesp &#8211; <a href=\"https:\/\/agencia.fapesp.br\/pesquisa-aponta-fatores-chave-para-ampliar-a-agricultura-40-no-brasil\/57593\">https:\/\/agencia.fapesp.br\/pesquisa-aponta-fatores-chave-para-ampliar-a-agricultura-40-no-brasil\/57593\u00a0<\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conectividade digital no meio rural, juventude no campo e mecanismos de divulga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o alguns dos fatores que mais impulsionam a ado\u00e7\u00e3o de tecnologias no complexo agroalimentar Ag\u00eancia FAPESP * \u2013 Um estudo publicado na revista Agricultural Systems identificou os principais fatores que impulsionam a ado\u00e7\u00e3o de tecnologias da chamada agricultura 4.0 no Brasil [&hellip;]<\/p>","protected":false},"author":10,"featured_media":5878,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[66,144],"tags":[103],"class_list":["post-6081","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-agricultura","category-agricultura-digital","tag-agricultura-digital"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.semear-digital.cnptia.embrapa.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6081","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.semear-digital.cnptia.embrapa.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.semear-digital.cnptia.embrapa.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.semear-digital.cnptia.embrapa.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/10"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.semear-digital.cnptia.embrapa.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6081"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.semear-digital.cnptia.embrapa.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6081\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6086,"href":"https:\/\/www.semear-digital.cnptia.embrapa.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6081\/revisions\/6086"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.semear-digital.cnptia.embrapa.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5878"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.semear-digital.cnptia.embrapa.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6081"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.semear-digital.cnptia.embrapa.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6081"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.semear-digital.cnptia.embrapa.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6081"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}