{"id":5987,"date":"2026-03-02T10:57:54","date_gmt":"2026-03-02T13:57:54","guid":{"rendered":"https:\/\/www.semear-digital.cnptia.embrapa.br\/?p=5987"},"modified":"2026-03-02T10:57:54","modified_gmt":"2026-03-02T13:57:54","slug":"estudo-analisa-os-sistemas-de-rastreabilidade-da-cadeia-de-carne-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.semear-digital.cnptia.embrapa.br\/en\/noticia\/03\/2026\/estudo-analisa-os-sistemas-de-rastreabilidade-da-cadeia-de-carne-brasileira\/","title":{"rendered":"Estudo analisa os sistemas de rastreabilidade da cadeia de carne brasileira"},"content":{"rendered":"<p><i>A pesquisa tamb\u00e9m sugere caminhos para a inclus\u00e3o de pequenos e m\u00e9dios agricultores nos sistemas de certifica\u00e7\u00e3o de rastreabilidade<\/i><\/p>\n<p>A pecu\u00e1ria brasileira, de grande import\u00e2ncia econ\u00f4mica e social, tamb\u00e9m carrega desafios ambientais significativos, como as emiss\u00f5es de metano e a press\u00e3o da atividade sobre o desmatamento na Amaz\u00f4nia e no Cerrado. Neste contexto, a rastreabilidade \u00e9 vista como pe\u00e7a-chave, garantindo transpar\u00eancia aos processos e ades\u00e3o \u00e0s regulamenta\u00e7\u00f5es ambientais. Um estudo publicado na revista <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.3390\/challe16040048\"><i>Challenges, Journal of Planetary Health<\/i><\/a> prop\u00f5e enxergar os sistemas de rastreabilidade da carne bovina brasileira n\u00e3o como ferramentas de controle, mas como mecanismos que atuam como infraestruturas de governan\u00e7a relacional conectando frigor\u00edficos, protocolos de sustentabilidade e mercados importadores.<\/p>\n<p>\u201cOs sistemas de rastreabilidade v\u00e3o al\u00e9m do mero cumprimento de regras, essas infraestruturas refletem o prop\u00f3sito compartilhado da cadeia de produ\u00e7\u00e3o, a confian\u00e7a institucional e as capacidades coletivas de resolu\u00e7\u00e3o de problemas\u201d, explica o autor, Ivan Bergier, da Embrapa Agricultura Digital. Para compreender essa arquitetura complexa, o autor utilizou a ci\u00eancia de redes para analisar a <a href=\"https:\/\/www.cnabrasil.org.br\/projetos-e-programas\/programa-rastreabilidade-animal\">Plataforma AgriTrace Animal<\/a>, mantida pela Confedera\u00e7\u00e3o da Agricultura e Pecu\u00e1ria do Brasil (CNA). Foram cruzados dados de 128 frigor\u00edficos habilitados para exporta\u00e7\u00e3o, 11 protocolos de certifica\u00e7\u00e3o da plataforma (cada um com crit\u00e9rios espec\u00edficos de ra\u00e7a, acabamento de carca\u00e7a e idade do animal) e 61 pa\u00edses importadores.<\/p>\n<p><b>Redes de confian\u00e7a e a l\u00f3gica da &#8220;coopeti\u00e7\u00e3o&#8221;<\/b><\/p>\n<p>A an\u00e1lise dos dados mostrou a exist\u00eancia de seis agrupamentos distintos de frigor\u00edficos. Dois desses grupos concentram 84% das plantas frigor\u00edficas, formados em geral por empresas de grande porte que se organizam em torno de protocolos amplamente adotados para manter escala e legitimidade. Os outros quatro refletem atividades menores e mais perif\u00e9ricas, caracterizadas por nichos de inova\u00e7\u00e3o que apostam em certifica\u00e7\u00f5es espec\u00edficas, como carne org\u00e2nica, de baixo carbono ou de ra\u00e7as valorizadas.<\/p>\n<p>&#8220;Esta estrutura da rede mostra a capacidade da cadeia da carne de equilibrar efici\u00eancia com experimenta\u00e7\u00e3o, abordando tanto as demandas atuais quanto as futuras mudan\u00e7as de mercado. A an\u00e1lise tamb\u00e9m revela que a governan\u00e7a da rastreabilidade n\u00e3o \u00e9 geograficamente neutra, ela reflete redes localizadas de confian\u00e7a, aprendizado e coordena\u00e7\u00e3o\u201d, explica o autor. Uma din\u00e2mica chamada de \u201ccoopeti\u00e7\u00e3o\u201d, um modelo estrat\u00e9gico no qual empresas que atuam no mesmo mercado unem esfor\u00e7os em determinadas \u00e1reas para gerar benef\u00edcios comuns sem abrir m\u00e3o da concorr\u00eancia em seus neg\u00f3cios individuais. &#8220;Ao mesmo tempo que h\u00e1 competi\u00e7\u00e3o entre esses frigor\u00edficos, eles tamb\u00e9m podem se associar em torno de protocolos para ganhar vantagem. Os grandes dominam, mas os outros podem ajudar a inovar. \u00c9 uma coopera\u00e7\u00e3o e, ao mesmo tempo, uma competi\u00e7\u00e3o em torno de um ideal comum, que \u00e9 exportar uma carne que segue um protocolo para atingir um nicho diferente de mercado&#8221;, explica Bergier.<\/p>\n<p>Outro mapa criado a partir dos dados da pesquisa conecta os 61 pa\u00edses importadores, ligados entre si por comprarem de frigor\u00edficos que compartilham os mesmos protocolos e revela a exist\u00eancia de eixos de mercado. Hong Kong, Singapura, Canad\u00e1 e Egito, que atuam como conectores cr\u00edticos e, em posi\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica, mercados mais rigorosos, como os da Uni\u00e3o Europeia e Oceania. Para o autor, essa configura\u00e7\u00e3o \u00e9 moldada tanto pela demanda de mercado quanto por barreiras pol\u00edticas como as regula\u00e7\u00f5es europeias que restringem a compra de carne apenas a produtos livres de desmatamento.<\/p>\n<p>O trabalho conclui que a rastreabilidade deve ser reconhecida n\u00e3o apenas como uma infraestrutura de dados, mas como uma infraestrutura \u00e9tica. Trata-se de uma plataforma que traduz ideais abstratos de sustentabilidade em pr\u00e1ticas verific\u00e1veis, alinhadas a valores e territ\u00f3rios espec\u00edficos e que depende da qualidade das rela\u00e7\u00f5es dentro das redes, atrav\u00e9s das fronteiras e entre as pessoas para enfrentar desafios interconectados como mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, perda de biodiversidade e seguran\u00e7a alimentar.<\/p>\n<p><b>Pesquisa busca incluir pequenos produtores nos benef\u00edcios da certifica\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>A pesquisa faz parte do projeto Semear Digital, cujo objetivo \u00e9 superar as desigualdades no campo a partir de pesquisa, desenvolvimento e inova\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es de agricultura digital buscando ampliar a produ\u00e7\u00e3o e a produtividade dos pequenos e m\u00e9dios produtores rurais. \u201cA produ\u00e7\u00e3o pecu\u00e1ria no Brasil \u00e9 raramente feita com o ciclo completo em uma mesma propriedade. Em geral temos o ciclo de reprodu\u00e7\u00e3o (cria) e de desenvolvimento inicial (recria) feitos em propriedades menores e menos tecnol\u00f3gicas, que s\u00e3o o p\u00fablico-alvo do Semear Digital. E \u00e9 exatamente esse p\u00fablico que acaba n\u00e3o acessando os benef\u00edcios dos sistemas de rastreabilidade, que se concentram nas propriedades dedicadas \u00e0 engorda e aos frigor\u00edficos\u201d, explica Bergier.<\/p>\n<p>O pesquisador destaca que a an\u00e1lise realizada no artigo mostra a import\u00e2ncia de fortalecer um movimento de \u201ccoopeti\u00e7\u00e3o\u201d que envolva, tamb\u00e9m, os produtores ligados aos ciclos iniciais da produ\u00e7\u00e3o pecu\u00e1ria. \u201cN\u00f3s identificamos que a confian\u00e7a entre os envolvidos \u00e9 essencial e que a \u2018coopeti\u00e7\u00e3o\u2019 pode se dar em torno de um ideal comum como, por exemplo, exportar uma carne que siga um protocolo espec\u00edfico para atingir um nicho diferente de mercado\u201d, explica o autor, \u201cesses nichos costumam ser pequenos e s\u00e3o atendidos por propriedades menores, com produtos de alto valor agregado e com diferenciais como<a href=\"https:\/\/www.semear-digital.cnptia.embrapa.br\/en\/noticia\/12\/2025\/especialistas-da-embrapa-sebrae-e-cirad-ministram-oficina-sobre-indicacao-geografica-a-agricultores\/\"> indica\u00e7\u00f5es geogr\u00e1ficas de origem<\/a>, por exemplo\u201d.<\/p>\n<p>Para o autor \u00e9 preciso criar movimentos facilitadores dessa \u201ccoopeti\u00e7\u00e3o\u201d por meio de estrat\u00e9gias como a certifica\u00e7\u00e3o em grupo para pequenas propriedades, parcerias p\u00fablico-privadas, uso de ferramentas digitais de baixo custo (como celulares), cria\u00e7\u00e3o de cooperativas e pol\u00edticas p\u00fablicas que criem caminhos de entrada simplificados e subsidiados para inclus\u00e3o progressiva dos pequenos e m\u00e9dios produtores rurais nesses sistemas. \u201cDo ponto de vista da rastreabilidade, \u00e9 desta forma que vamos atingir mercados mais interessantes e, ao mesmo tempo, ter uma produ\u00e7\u00e3o realmente sustent\u00e1vel\u201d, conclui Bergier.<\/p>\n<p><strong>Acesse o artigo completo em:<\/strong><\/p>\n<p>Bergier, I. Relational Infrastructures for Planetary Health: Network Governance and Inner Development in Brazil\u2019s Traceable Beef Export System. Challenges 2025, 16, 48. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.3390\/challe16040048\">https:\/\/doi.org\/10.3390\/challe16040048<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u00c9rica Speglich<\/strong><\/p>\n<p><strong><span class=\"autor negrito\">Graziella Galinari <\/span> <span class=\"codigo negrito\">(MTb 3863\/PR)<\/span><\/strong><br \/>\n<span class=\"unidade\">Embrapa Agricultura Digital<\/span><\/p>\n<p><span class=\"label\">Contatos para a imprensa<\/span><br \/>\n<span class=\"email\">agricultura-digital.imprensa@embrapa.br<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pesquisa tamb\u00e9m sugere caminhos para a inclus\u00e3o de pequenos e m\u00e9dios agricultores nos sistemas de certifica\u00e7\u00e3o de rastreabilidade A pecu\u00e1ria brasileira, de grande import\u00e2ncia econ\u00f4mica e social, tamb\u00e9m carrega desafios ambientais significativos, como as emiss\u00f5es de metano e a press\u00e3o da atividade sobre o desmatamento na Amaz\u00f4nia e no Cerrado. 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